Em
maio, boatos sobre o fim do programa levaram a uma corrida dos
beneficiários às agências bancárias da Caixa Econômica Federal para
sacar o benefício. No ápice do boato, nos dias 18 e 19, o banco
registrou 920 mil saques de beneficiários.
Na
ocasião, a presidenta Dilma Roussef classificou os boatos de atos
criminosos e fez um apelo para que os brasileiros não acreditassem nos
pessimistas e, sobretudo, nos boatos.
Entre
as linhas de investigação da PF, foi analisada o possível uso de redes
sociais para a propagação dos boatos. O cruzamento de dados permitiu
identificar uma postagem, em uma rede social, feita pela filha de uma
beneficiária da cidade de Cajazeiras (PB) informando sobre o saque
antecipado de sua mãe. Essa foi a primeira menção na internet a respeito
do assunto.
“No
entanto, a postagem desta informação não foi a origem dos boatos. Assim
sendo, a internet e as redes sociais apenas reproduziram notícias
veiculadas pela imprensa sobre os tumultos em agências bancárias. Da
mesma forma, não ficou configurada a utilização de rádios comunitárias,
telemarketing ou empresa contratada para a disseminação da informação de
cancelamento do programa. Apenas uma beneficiária no Rio de Janeiro
noticiou ter recebido telefonema a respeito, depoimento que não se
repetiu em nenhuma outra oitiva”, diz a nota.
De
acordo com a PF, a investigação cruzou dados referentes aos registros
de saques feitos no período, bem como o padrão dos saques feitos nos
meses anteriores. O objetivo era identificar os primeiros beneficiários a
sacar o dinheiro do programa.
As
informações mostraram o aumento anormal no volume de saques nas cidades
de Ipu (CE) e Cajazeiras (PB), onde ocorreram os primeiros saques, já
nas primeiras horas do sábado, dia 18 de maio. As cidades também
apresentaram, proporcionalmente, o maior número de saques dos benefícios
no final de semana.
Durante
a apuração, foram ouvidos 180 beneficiários de 11 estados: Alagoas,
Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco,
Piauí e Rio de Janeiro. Também foram ouvidos 64 gerentes da Caixa nas
localidades, onde ocorreu o maior volume de saques.
A
PF constatou que, das pessoas ouvidas, “aproximadamente 40%
encontravam-se na data correta do cronograma de pagamento da bolsa".
"Entre os motivos que levaram os demais beneficiários às agências
bancárias, constam: a ciência da antecipação do pagamento por motivos
diversos, a informação de um possível adicional em virtude do dia das
mães e a notícia de um suposto cancelamento do programa,
respectivamente”.
Dias
após o boato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a
dizer que os boatos poderiam ter sido orquestrados e o PSDB pediu à
Procuradoria-Geral da República que investigasse se a Caixa cometeu
crime de responsabilidade de falsidade ideológica no episódio dos boatos
do fim do Bolsa Família.
Após
a onda de boatos, o governo anunciou que irá monitorar de forma
rigorosa os saques para possibilitar uma resposta mais rápida a este
tipo de problema.
Agência Brasil
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