O prefeito da cidade paraibana
de Paulista, Severino Pereira Dantas e seis falsos médicos contratados
pelo município, foram condenados pelo Tribunal de Contas do Estado
(TCE-PB) e terão que devolver R$ 99.450,00, além de multas que
ultrapassam R$58 mil. Os falsos médicos foram flagrados pelo Conselho
Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), exercendo ilegalmente a
profissão, em fevereiro de 2011. O CRM fez a denúncia ao Ministério
Público e à Polícia Federal.
“Os dois estudantes de Medicina, que trabalhavam em Paulista como se
fossem médicos, realizando consultas, dando plantão e prescrevendo
medicamentos, foram expulsos de suas faculdades e respondem processo na
Polícia Federal. Fizemos a denúncia, mas não temos gerência sobre eles
para abrir processo ético, já que não tinham inscrição no CRM”, explicou
o presidente do CRM-PB, João Medeiros.
O TCE irá averiguar também o vínculo dessas seis pessoas, que não
possuem diploma médico, em prefeituras de outras sete cidades:
Logradouro, São Bento, Cacimba de Dentro, Casserengue, Soledade, Caaporã
e Caiçara. No processo do TCE ficou determinado um prazo de 60 dias
para a quitação do débito com o erário, sob pena de cobrança executiva.
O vínculo das pessoas listadas na ação com a Prefeitura de Paulista foi
considerado ilegal pelo TCE-PB, por ferir o artigo 37 da Constituição,
que dispõe sobre a contratação de pessoal. O argumento dos contratados
de que eram apenas estagiários, segundo o TCE, não condiz com a
realidade documentada nos autos, já que eles recebiam por plantões
médicos.
Fiscalização do CRM
O CRM-PB flagrou dois falsos médicos no hospital de Paulista, no Sertão
da Paraíba, a 310 km de João Pessoa, nos dias 17 e 28 de fevereiro de
2011. Segundo o diretor do Departamento de Fiscalização do CRM-PB, que
esteve no local, os falsos médicos prescreviam medicamentos controlados,
antibióticos, além de realizarem consultas e plantões. “Nas receitas
prescritas por eles, havia erros grosseiros, que deveriam até impedir a
venda ou entrega do medicamento nas farmácias”, disse Eurípedes.
“Nas prescrições hospitalares também encontramos termos que não são
usados e alterações nos exames físicos. Na anamnese (queixas dos
pacientes), por exemplo, o falso médico escreveu ‘temperatura corporal
alta’”, completou Eurípedes. Após a constatação do falso exercício da
Medicina, foi feita denúncia ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Recomendações a gestores públicos
O CRM-PB recomenda aos gestores públicos que forem contratar médicos,
que consultem o site do Conselho Federal de Medicina (www.cfm.org.br),
onde podem consultar gratuitamente e confirmar a habilitação de um
profissional ao exercício da Medicina. Outra alternativa é, nos dias
úteis, enviar e-mail (crmpb@crmpb.org.br), fax ou telefonar (2108-7200)
para o CRM-PB a fim de confirmar as informações profissionais do
candidato.
“Infelizmente, esta prática criminosa do exercício ilegal da Medicina
atinge muitos municípios da Paraíba. A população, para sua própria
segurança, deve ajudar e denunciar”, afirmou o Diretor do Departamento
de Fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça.
Portal Correio

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